Quando você contrata um seguro, há palavras que parecem técnicas, mas que definem quanto você vai pagar no dia a dia. A franquia é uma delas. Ela é quem determina quanto você desembolsa se precisar acionar a apólice.
Eu vou simplificar: você vai entender o que é franquia, os tipos mais comuns, como calcular o custo real e quais decisões fazem sentido ao renovar. Dinheiro gosta de direção — aqui a direção é prática.
Franquia é o valor ou a parte do prejuízo que você paga em um sinistro. Dependendo do tipo, você pode pagar só até um limite ou precisar arcar com tudo se o dano for pequeno. Saber isso ajuda a escolher o seguro que cabe no seu bolso.
O que é / Por que importa
Franquia é a participação do segurado no custo de um sinistro. Em outras palavras: se algo acontecer, ela define quanto você paga e quanto a seguradora cobre.
Importa porque afeta duas coisas essenciais: o valor do prêmio (quanto você paga todo ano) e o risco financeiro no momento do sinistro.
Escolher a franquia é um trade-off: franquia maior normalmente reduz o prêmio; franquia menor aumenta seu gasto ao contratar o seguro.
Como funciona / Passo a passo
1. Confira o tipo de franquia na apólice. É a primeira informação a checar.
2. Identifique se é um valor fixo (ex.: R$ 1.500) ou percentual (ex.: 5% do valor do bem).
3. Saiba o tipo prático: existem regras diferentes — por exemplo, em muitos contratos:
- Franquia absoluta (fixa): o segurado paga a franquia e a seguradora cobre o restante do prejuízo.
- Franquia relativa: se o custo do sinistro for igual ou inferior à franquia, você arca com tudo; se for maior, a seguradora cobre integralmente (sem descontar a franquia).
4. Ao abrir um sinistro, apresente orçamentos e documentos. A seguradora aplica a regra da franquia conforme a apólice.
5. Pague a franquia se ela for de sua responsabilidade. Alguns reparadores autorizados permitem parcelamento, outros exigem quitação na hora.
Exemplos práticos
Exemplo 1 — Franquia absoluta (fixa): você tem franquia de R$ 1.000 e um dano de R$ 4.000. Você paga R$ 1.000 e a seguradora paga R$ 3.000.
Exemplo 2 — Franquia relativa: franquia de R$ 2.000 e dano de R$ 1.500. Você paga os R$ 1.500 (seguradora não entra). Se o dano fosse R$ 3.000, a seguradora cobriria tudo.
Exemplo 3 — Percentual: imóvel segurado por R$ 300.000 com franquia de 1%: em caso de perda, a franquia será 1% do valor segurado (R$ 3.000) ou conforme cláusula específica da apólice.
Mini caso real
Marcos tem um carro e escolheu franquia alta para reduzir o prêmio anual. Em três anos, não houve sinistros. Ao bater em um poste com dano estimado em R$ 4.500, a franquia era R$ 2.000 (absoluta). Marcos pagou R$ 2.000 e a seguradora pagou R$ 2.500. No balanço, o prêmio economizado nos anos anteriores compensou a franquia naquele momento — mas essa escolha só valeu porque ele conseguiu manter um histórico com poucos sinistros.
Checklist final
- Verifique o tipo de franquia na apólice (absoluta, relativa, percentual).
- Compare prêmio vs. franquia: faça a conta de quantos anos precisa para que a economia do prêmio compense uma eventual franquia.
- Considere seu caixa: você tem reserva para pagar a franquia agora?
- Leia exclusões e regras (ex.: vidros, terceiros, taxa administrativa).
- Converse com o corretor sobre opções de franquia e possíveis coberturas complementares.
Erros comuns e correções
Erro: escolher a maior franquia só para reduzir o prêmio.
Correção: simule cenários. Se você depende do carro diariamente, franquia alta pode trazer gasto surpresa que prejudica seu fluxo.
Erro: não checar diferenças entre coberturas (ex.: vidros ou enchentes podem ter regras próprias).
Correção: leia a apólice e pergunte. Cada cobertura pode ter franquia distinta.
Erro: assumir que franquia é igual para todos os tipos de sinistro.
Correção: confirme se a franquia muda para colisão, roubo ou danos a terceiros.
Métricas e acompanhamento
Mantenha três indicadores simples:
- Frequência de sinistros por ano (quantos episódios você teve).
- Custo médio por sinistro (valor do prejuízo antes da franquia).
- Prêmio anual pago vs. média de franquias pagas (ajuda a decidir se vale reduzir ou aumentar franquia).
Registre cada sinistro: data, valor, franquia aplicada e tempo de resolução. Esses dados orientam sua decisão na renovação.
Conclusão
Franquia é uma ferramenta de gestão de risco. Ela não é boa ou ruim por si só — é adequada ao seu perfil financeiro e à frequência de uso do bem. Planejar é pagar menos ansiedade: calcule, simule e escolha com base em números e na sua reserva.
Se quiser, revise sua apólice na renovação — eu recomendo anotar cenário ideal (quanto você pode pagar num sinistro) antes de decidir. Para decisões complexas, consulte um corretor habilitado.
Perguntas frequentes
- 1. A franquia é paga em todos os sinistros?
- Na maioria dos casos sim, mas depende do tipo de franquia e da apólice. Em franquia relativa, por exemplo, se o prejuízo for superior à franquia a seguradora pode cobrir integralmente.
- 2. Posso negociar a franquia?
- Sim. Ao contratar ou renovar, você pode escolher opções diferentes de franquia que impactam o prêmio. Negocie com seu corretor e simule cenários.
- 3. Franquia mais alta sempre compensa financeiramente?
- Nem sempre. Se você tem histórico de sinistros frequentes, pagar franquia alta pode sair mais caro no longo prazo. Faça as contas e compare prêmio vs. risco.
- 4. A franquia vale para coberturas específicas, como vidros?
- Algumas apólices têm franquia diferenciada para vidros, enchentes ou terceiros. Leia a apólice e confirme as regras antes de aceitar.
- 5. Onde encontro regras sobre franquia no Brasil?
- As regras contratuais estão na sua apólice. Para orientação regulatória, consulte a SUSEP. Para dúvidas sobre mercado e transparência, consulte fontes como a SUSEP e órgãos de defesa do consumidor.
Conteúdo educacional: não constitui recomendação de investimento, crédito ou tributária. Para decisões financeiras pessoais, avalie seu perfil e consulte profissional habilitado.