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Rendimento bruto vs líquido: como calcular

Você aplica seu dinheiro e espera ver o saldo crescer. Mas o número que aparece na propaganda do produto nem sempre é o que vai entrar na sua conta. Eu vou te mostrar, passo a passo, como passar do rendimento bruto ao rendimento líquido — para que você tome decisões mais seguras e pague menos surpresas.

Rendimento bruto é o ganho total anunciado. Rendimento líquido é o que sobra depois de impostos, taxas e inflação. Calcule sempre o líquido antes de comparar opções.

O que é / Por que importa

Rendimento bruto: é o retorno antes de qualquer dedução. É o que o banco, corretora ou gestor costuma divulgar.

Rendimento líquido: é o que você, de fato, recebe no bolso. Considera imposto de renda, taxas de administração, taxas de performance, custos de custódia e efeitos da inflação.

Por que isso importa? Porque só o rendimento líquido paga suas contas e aumenta seu patrimônio. Primeiro você manda no dinheiro, depois ele trabalha por você. Planejar é pagar menos ansiedade.

Como funciona / Passo a passo

  1. Identifique o rendimento bruto informado (ex.: 10% ao ano).
  2. Liste todas as taxas: administração, performance, custódia. Verifique prospecto ou informações da instituição (CVM, Anbima).
  3. Calcule o imposto de renda aplicável: depende do prazo e do tipo do produto (títulos públicos, CDB, fundos, ações). Consulte regras da Receita Federal e da CVM.
  4. Subtraia taxas e impostos do rendimento bruto para obter o rendimento líquido nominal.
  5. Desconte a inflação esperada para obter o rendimento real — o poder de compra que você preserva.

Exemplo de fórmula simplificada: rendimento líquido ≈ rendimento bruto − taxas − imposto. Para precisão, transforme tudo em valores nominais (reais por período) antes de subtrair.

Exemplos práticos

Exemplo 1 — CDB (curto prazo)

Rendimento bruto: 8% ao ano. Taxa de custódia: 0%. IR (tabela regressiva): 20% para prazo entre 6 e 12 meses.

Imposto: 8% × 20% = 1,6%. Rendimento líquido ≈ 8% − 1,6% = 6,4% ao ano (antes da inflação).

Exemplo 2 — Fundo de investimento

Rendimento bruto: 12% ao ano. Taxa de administração: 1,5% ao ano. Taxa de performance: 20% sobre o que exceder o benchmark (digamos que não houve performance extra neste ano).

Rendimento líquido ≈ 12% − 1,5% = 10,5% ao ano, menos IR incidente quando houver resgate conforme regras da Receita Federal.

Exemplo 3 — Tesouro Direto indexado à inflação

Rendimento bruto: IPCA + 4% ao ano. Há incidência de IR conforme tabela regressiva; sem taxa de administração em plataformas que não cobram. Para o poder de compra, subtraia o IPCA para ver o ganho real (aqui 4%).

Mini caso real

Joana tinha R$ 50.000 e comparou duas opções: um fundo multimercado (divulgado como 15% ao ano) e um CDB (9% ao ano). O fundo cobrava 2% de administração e 20% de performance; o CDB sofria IR regressivo de 15%.

Ao calcular o líquido, Joana viu que o fundo, no ano analisado, rendeu 15% − 2% = 13% (antes de performance e IR). Depois do IR e sem performance extra, o líquido ficou próximo de 11%. O CDB, após IR de 15% sobre 9%, rendeu 7,65%.

Conclusão: apesar do número maior no anúncio, o fundo só valia a pena se entregasse performance consistente. Joana escolheu dividir o capital: parte no CDB para segurança e parte no fundo, com metas e limite de perda. Constância > promessa.

Checklist final

  • Verifique o rendimento bruto anunciado.
  • Liste todas as taxas e leia o prospecto (CVM/Anbima).
  • Calcule imposto de renda conforme prazo e tipo de ativo (Receita Federal).
  • Considere a inflação: transforme rendimento nominal em real.
  • Compare rendimentos líquidos, não brutos.
  • Defina metas e horizonte: cada real precisa de um papel.

Erros comuns e correções

Erro: comparar apenas o percentual bruto. Correção: calcule o líquido com todas as deduções.

Erro: ignorar imposto sobre fundos e operações com ações. Correção: verifique a natureza do produto e a tabela de IR. Consulte Receita Federal e CVM.

Erro: esquecer custos indiretos (spread, taxa de negociação). Correção: some todos os custos à sua simulação.

Métricas e acompanhamento

Use estas métricas para acompanhar seus investimentos:

  • Rendimento líquido anualizado — compara diferentes prazos.
  • Rendimento real (descontada a inflação) — mede poder de compra.
  • Volatilidade / drawdown — risco de perda em percentuais.
  • Taxa total de custo (TER) em fundos — mede o quanto taxas corroem o retorno.

Reavalie pelo menos trimestralmente. Planejar é pagar menos ansiedade.

Conclusão

Rendimento bruto é só o começo da história. O que importa é o rendimento líquido, porque só ele aumenta seu poder de compra. Faça as contas antes de decidir; divida critérios entre segurança, liquidez e rentabilidade. Primeiro você manda no dinheiro, depois ele trabalha por você.

Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento. Para decisões complexas, consulte um profissional habilitado.

Perguntas frequentes

1. Como calculo o imposto de renda em investimentos?
Depende do produto e do prazo. Títulos de renda fixa e fundos seguem a tabela regressiva da Receita Federal; ações têm regras próprias de tributação. Consulte a Receita Federal e o material da CVM para detalhes.
2. As taxas de administração sempre diminuem muito o retorno?
Não sempre, mas elas corroem o retorno. Avalie a taxa total (TER) e compare com opções sem taxa ou com taxas menores. Anbima e prospectos divulgam informações úteis.
3. Devo olhar rendimento líquido ou real?
Os dois. Rendimento líquido mostra quanto você recebe; rendimento real mostra quanto seu poder de compra aumentou depois da inflação. Priorize o real para metas de longo prazo.
4. Onde encontro informações confiáveis sobre produtos?
Procure prospectos e documentos na plataforma da instituição, e fontes oficiais como CVM, Receita Federal, Anbima e Banco Central do Brasil.